Convocação de Ibaneis para depor sobre caso Master une esquerda e direita no Senado
A convocação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para prestar depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sobre o caso envolvendo o Banco Master gerou um movimento político incomum em Brasília. Senadores de campos ideológicos opostos se uniram para cobrar explicações do chefe do Executivo do DF.
Os três senadores que representam o Distrito Federal — Leila Barros (PDT), Damares Alves (Republicanos) e Izalci Lucas (PL) — assinaram conjuntamente o pedido de convocação de Ibaneis para comparecer à comissão, presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB). A iniciativa foi revelada pelo analista de Política da CNN, Pedro Venceslau.
A adesão de Damares Alves ao pedido chamou atenção nos bastidores, já que a senadora vinha mantendo postura de proximidade política com Ibaneis. Até a eclosão do escândalo envolvendo o Banco Master, havia articulações para uma possível composição de forças da direita no Distrito Federal, o que torna a movimentação ainda mais simbólica.
Já o senador Izalci Lucas, que se coloca como pré-candidato ao governo do DF pelo campo da direita, foi direto ao apontar o desgaste do governador. Segundo ele, Ibaneis teria se transformado em uma espécie de “garoto-propaganda” do banco, o que, na avaliação do parlamentar, torna inevitável que ele preste esclarecimentos formais ao Senado.
Cerco político se fecha
Além da convocação no Senado, Ibaneis também enfrenta pressão na Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde há um pedido para abertura de uma CPI local sobre o caso. Até agora, o governador tem conseguido barrar a instalação da comissão, mas o desgaste político se intensifica com o avanço das investigações.
Nos bastidores, aliados admitem que o episódio compromete as pretensões eleitorais de Ibaneis, que vinha sinalizando interesse em disputar uma vaga no Senado. Com o avanço do caso Banco Master e a pressão de diferentes campos políticos, a avaliação é de que o projeto eleitoral do governador passa por seu momento mais delicado.
A comissão comandada por Renan Calheiros ganhou protagonismo no caso após a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em instalar uma CPMI específica para investigar o Banco Master. A avaliação entre parlamentares é de que uma investigação mais ampla poderia atingir figuras influentes do cenário político nacional.

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