De caso de polícia a guerra urbana: o alerta do Oficina do Brasil sobre o colapso do Estado
Episódio do Oficina do Brasil analisa a escalada da violência e a falência do Estado nas favelas do Rio de Janeiro
O episódio mais recente do programa Oficina do Brasil, apresentado por Luiz Paulo Vellozo Lucas e Marcelo Torres, trouxe uma discussão incisiva sobre o colapso da segurança pública no país — com foco no Rio de Janeiro, onde uma megaoperação policial deixou mais de 120 mortos, 81 presos e 90 fuzis apreendidos nos complexos do Alemão e da Penha.
Luiz Paulo, ex-prefeito de Vitória e ex-deputado federal, foi direto: “O Estado brasileiro está disfuncional. O sistema policial e judicial hoje é parte do problema.”
Para ele, o que se vê nas comunidades cariocas não é apenas crime organizado — é narcoterrorismo com estrutura de guerra, drones lançando bombas e domínio territorial onde o Estado já não entra.
Marcelo Torres complementou que o vácuo de governança local é o principal combustível dessa realidade. Ele relembrou o fracasso das UPPs, que chegaram a ser exemplo de política pública, mas sucumbiram pela falta de credibilidade e presença real do Estado: “O tenente virava o Estado inteiro — prefeito, juiz e polícia. Isso não se sustenta.”

De caso de polícia a questão de segurança nacional
Durante o programa, os apresentadores compararam a crise brasileira com o que foi feito na Colômbia, especialmente em Medellín, onde o poder público transformou favelas em bairros estruturados, com serviços, infraestrutura e presença estatal contínua.
“O problema não é militar, é político e urbanístico. Sem o Estado organizado e permanente, o crime toma conta”, afirmou Luiz Paulo.
Os dois também destacaram o dado alarmante de que 25% da população brasileira vive hoje em áreas dominadas por facções criminosas, o que equivale a cerca de 50 milhões de pessoas.
“É a prova de que não se trata mais de segurança pública, mas de segurança nacional”, disse Marcelo.
Responsabilidade política e institucional
O episódio também abordou a troca de acusações entre o governador do Rio, Cláudio Castro, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, sobre a responsabilidade pela operação.
Luiz Paulo citou o artigo 144 da Constituição, lembrando que a segurança pública é dever de União, estados e municípios, e criticou o uso político do tema:
“Enquanto cada um pensa na eleição do ano que vem, morre gente agora.”
Vitória dá exemplo com o “Estado Presente”
No contraponto à tragédia carioca, o programa destacou o sucesso do Espírito Santo, que alcançou 50 dias sem homicídios em Vitória e mais de 500 dias sem feminicídios.

O mérito foi atribuído ao programa Estado Presente, que vem sendo referência nacional em política de segurança pública.
Segundo Luiz Paulo, “é um exemplo concreto de que o problema pode ser enfrentado com gestão, investimento e continuidade.”
Conclusão: o Brasil ainda tem conserto
Encerrando o episódio, os apresentadores recomendaram o documentário “Notícias de uma Guerra Particular”, de João Moreira Salles, e deixaram a mensagem central do programa:
“O país está em guerra — mas tem conserto. Falta coragem política, gestão e presença real do Estado onde ele nunca existiu.”

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.




