Luiz Paulo e Marcelo detonam: “No Brasil, nada é por amor. Tudo é por interesse”
O programa “Oficina do Brasil”, apresentado pelo jornalista Marcelo Torres e pelo ex-prefeito de Vitória e ex-deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas, dedicou o episódio #017 a uma pergunta incômoda: “e o interesse do Brasil, como fica?”.
A partir da pauta de segurança pública e do escândalo envolvendo o Banco Master, os dois fizeram uma crítica dura à forma como Estado, mercado e política têm se misturado no país.

Logo no início, o foco recaiu sobre a aprovação, na Câmara dos Deputados, do chamado PL antifacção, que prevê penas de até 40 anos para integrantes de facções criminosas, cria novos tipos penais como “domínio territorial” e “ataque a infraestruturas”, e facilita a tomada de bens e recursos das organizações. O texto agora segue para o Senado.
Embora reconheçam avanços no endurecimento contra o crime organizado, Marcelo e Luiz Paulo reforçam que o projeto virou mais um “cavalo de batalha” político do que uma política pública baseada em dados. Para eles, não falta dinheiro para segurança, falta governança e articulação entre União, estados e forças policiais.

A questão central do Estado brasileiro é governança, não falta de recursos. O problema é quando o Estado é capturado por interesses que não são o interesse nacional, resumiu Luiz Paulo.
Os apresentadores também criticaram o sensacionalismo que domina o debate sobre segurança: de um lado, setores acusados de “passar a mão na cabeça” de criminosos; de outro, o discurso do “tiro, porrada e bomba” que vende soluções fáceis para problemas complexos. Ambos defendem políticas integradas, a exemplo de programas de segurança implementados no Espírito Santo, e chamam atenção para estudos que mostram que, em áreas dominadas pelo crime, a lucratividade das atividades ilegais supera com folga a economia formal.
Na segunda parte do programa, o tema muda, mas a lógica dos interesses permanece: entra em cena o caso Banco Master, alvo de operação da Polícia Federal e de liquidação extrajudicial após suspeitas de fraude bilionária na emissão e venda de créditos.

O episódio é usado como exemplo de como o mercado também pode operar com “práticas mafiosas”, especialmente quando se aproxima de fundos públicos e investidores institucionais, como fundos de previdência.
Luiz Paulo defende o fortalecimento de órgãos como CVM e Banco Central, mas destaca que não se trata apenas de regras: é preciso reconstruir um “capital moral” e cívico no país, para limitar a promiscuidade entre dinheiro público, interesses privados e decisões de Estado.
O programa ainda aborda outros pontos da agenda nacional, como a retirada de sobretaxas por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — medida atribuída ao interesse econômico interno americano, mais do que a qualquer alinhamento político — e cita a COP 30 em Belém dentro de um contexto mais amplo de desafios estruturais do Brasil.
Ao final, Marcelo Torres e Luiz Paulo Vellozo Lucas voltam à provocação central do episódio: em meio a disputas ideológicas, escândalos financeiros e guerras de narrativa, quem está realmente defendendo o interesse do Brasil – e não apenas o próprio interesse?
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