Valorização Urbana: o que Vitória pode ganhar com Operações Urbanas Consorciadas — Especial do Oficina do Brasil

Valorização Urbana: o que Vitória pode ganhar com Operações Urbanas Consorciadas — Especial do Oficina do Brasil

Em mais um episódio contundente do Oficina do Brasil, Marcelo Torres e Luiz Paulo Vellozo Lucas abriram a mesa para um dos maiores especialistas em Operações Urbanas Consorciadas (OUCs) do país: Marcus Vinícius Rego, ex-diretor da Caixa Econômica Federal e referência nacional em planejamento urbano.

O tema, que parece técnico à primeira vista, é exatamente o tipo de assunto que o Brasil insiste em empurrar para depois — e paga o preço em atraso urbano, transporte ineficiente, moradias precárias e centros históricos abandonados.

O papo deixou claro: Vitória tem um potencial gigantesco de transformação, mas ainda não usa a ferramenta mais poderosa que existe hoje para requalificação urbana sem pesar no bolso do contribuinte.


O que é uma Operação Urbana Consorciada — e por que isso importa ao Brasil?

Criada pelo Estatuto da Cidade há 25 anos, a OUC permite que o poder público execute projetos estruturantes — mobilidade, habitação social, revitalização de áreas degradadas — sem usar o orçamento público direto.

Quem financia?
O próprio mercado imobiliário, por meio da compra dos CEPACs (certificados de potencial construtivo).

Ou seja:
✔ A cidade melhora
✔ A infraestrutura aparece
✔ A população ganha qualidade de vida
✔ E o contribuinte não paga a conta

Essa fórmula já transformou regiões inteiras de cidades como São Paulo (Faria Lima, Águas Espraiadas, Água Branca) e Rio de Janeiro (Porto Maravilha).


O recado para Vitória — e para todo gestor que se diz moderno

Enquanto bairros nobres como Praia do Canto atingem R$ 30 mil/m², o Centro de Vitória continua patinando na casa dos R$ 2 mil/m² — um retrato direto da falta de estímulo, planejamento e visão de longo prazo.

Marcus Vinícius foi claro:

O mercado imobiliário não vai, sozinho, para onde não há atratividade. Cabe ao poder público liderar.

E essa liderança precisa passar por:

  • Requalificação do Centro de Vitória

  • Novo sistema viário na Grande São Pedro

  • Projeto de mobilidade moderno, como o BUD (Bonde Urbano Digital)

  • Galerias técnicas, fiação enterrada e reurbanização de orlas

  • Habitação social integrada ao processo para evitar gentrificação

  • Revitalização de áreas industriais, portuárias e vazios urbanos

Tudo isso é financiável sem gastar o caixa da prefeitura — desde que o município tenha coragem de liderar uma OUC bem desenhada e transparente.


Vitória precisa pensar grande — porque o mundo já pensa

O episódio trouxe um alerta forte: com a reforma tributária, cidades pequenas tendem a perder arrecadação. Sem novas fontes de receita e sem projetos estruturantes, Vitória corre o risco de estagnar enquanto cidades de porte semelhante pelo Brasil começam a decolar.

A solução?
Transformar a ilha em um grande laboratório de inovação urbana — e não apenas falar de futuro, mas construí-lo.


O exemplo que inspira

O Porto Maravilha, no Rio, foi citado como o grande case brasileiro:

  • 2 linhas de VLT

  • Requalificação completa da região portuária

  • Túnel Marcello Alencar

  • Boulevards modernos

  • Museus e polos turísticos

  • E, principalmente, segurança e retomada da vida na região

Quem pagou?
O mercado, através dos CEPACs.
Quem ganhou?
A cidade inteira.


Brasil precisa de gestores que pensem em 2050 — não na próxima eleição

A frase mais forte da entrevista pode ser resumida assim:

“Cidade pequena não existe. Pequeno é o gestor que não enxerga o potencial.”

A mensagem para prefeitos, governadores, deputados e técnicos é cristalina: o país só destrava quando cidades iniciam processos transformadores, conectando setor privado, população e planejamento urbano sério.


Conclusão

A Oficina do Brasil mais uma vez faz o que pouca gente no debate público faz: coloca luz sobre soluções reais, testadas e com resultados comprovados.

Vitória, assim como dezenas de cidades brasileiras, está na encruzilhada. Pode seguir a rota da estagnação… ou pode liderar uma nova onda de desenvolvimento urbano moderno, sustentável e financeiramente inteligente.

E como disse Marcelo Torres na despedida:

“O Brasil tem conserto — falta só começar pelo básico: planejamento com coragem.”