Ministro da Fazenda espera retomada da relação com os Estados Unidos após eleições e diz que Brasil não se dobra
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (17) que espera a retomada do fluxo de comércio e do diálogo institucional entre Brasil e Estados Unidos depois das eleições de outubro. Para ele, os problemas entre os dois países são pontuais, apesar das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros.
Durante a 27ª Conferência Anual Santander, em São Paulo, Durigan disse que o Brasil não deve fazer um alinhamento automático com nenhum país. O ministro defendeu que o governo preserve autonomia para negociar com diferentes parceiros e avalie suas próprias capacidades e limitações.
Segundo Durigan, o Brasil está sendo punido com tarifas adicionais pelos Estados Unidos mesmo apresentando déficit comercial na relação bilateral. Ele afirmou que não vê sentido nessa situação e disse que o país deve conduzir o debate internacional sem abrir mão de seus interesses.
Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros no mês passado, com uma lista de exceções. Também anunciaram uma sobretaxa para dezenas de países, incluindo o Brasil, em decisão que Washington relacionou a práticas comerciais consideradas desleais.
O ministro citou ainda a Lei da Reciprocidade, acionada pelo Brasil para responder às tarifas norte-americanas. Ele afirmou que questões institucionais, como a cooperação entre a Polícia Federal e órgãos estrangeiros contra o crime organizado, não devem ser misturadas às divergências comerciais.
Na conferência, Durigan voltou a defender o ajuste das contas públicas como caminho para permitir a redução dos juros. A taxa básica está em 14% ao ano, e o ministro mencionou a necessidade de rever gastos obrigatórios, emendas, aposentadorias e salários acima do teto.
A avaliação combina a agenda externa do governo com uma cobrança por equilíbrio fiscal interno. Para Durigan, a recuperação do diálogo com os Estados Unidos e a retomada de um projeto de desenvolvimento dependem de decisões econômicas e diplomáticas capazes de reduzir vulnerabilidades.
Fonte: [G1](https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/08/17/ministro-da-fazenda-espera-retomada-da-relacao-com-os-estados-unidos-apos-eleicoes-e-diz-que-brasil-nao-se-dobra.ghtml)
Fonte: G1

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