PF apura suspeita de repasse de US$ 180 mil de advogado a ex-diretor da Abin
A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz realizou repasses financeiros que somam US$ 180 mil a Paulo Maurício Fortunato, ex-diretor de Operações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O montante equivale a aproximadamente R$ 900 mil na cotação média do período apurado.
As apurações apontam que a suspeita de transações atípicas começou a partir de perícia realizada no telefone celular de Tomaz. O aparelho havia sido apreendido durante uma fase de operação deflagrada contra fraudes na concessão de aposentadorias e pensões perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Durante a análise técnica dos arquivos digitais, peritos criminais federais localizaram um documento datado de agosto de 2021. O registro continha expressa menção ao nome de Fortunato, citava valores nominais em moeda norte-americana e agrupava termos institucionais como “corregedoria”, “diretor de operações” e “oficial de inteligência”.
O caso tramita no âmbito de inquérito que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro com ramificações em apostas esportivas. A investigação também averigua eventuais conexões com apurações sobre desvios e uso indevido da estrutura da agência federal de inteligência em gestões anteriores.
Em diligências cumpridas no ano de 2023 no endereço de Fortunato, a corporação já havia apreendido US$ 171 mil guardados em espécie. O ex-diretor de operações acabou indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de violação de sigilo funcional e organização criminosa.
Em nota oficial enviada pela defesa, o advogado Willer Tomaz negou categoricamente qualquer irregularidade. Seus representantes sustentam que ele jamais pagou, recebeu ou intermediou qualquer quantia destinada a Fortunato ou a intermediários vinculados ao caso.
A nota afirma ainda que o arquivo localizado reflete somente a consulta inicial de um cliente apresentada ao escritório de advocacia em fevereiro de 2024. Segundo os defensores, o caso foi prontamente recusado pela banca, razão pela qual nenhuma relação jurídica ou financeira se concretizou entre as partes.
O avanço das investigações perante as instâncias competentes busca agora esclarecer a rastreabilidade dos fluxos financeiros e assegurar a transparência na atuação de órgãos públicos e agentes federais.
Fonte: [Correio Braziliense](https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/10/7525078-pf-apura-repasse-de-us-180-mil-de-willer-tomaz-a-ex-diretor-da-abin.html)
Fonte: Correio Braziliense

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