Senado aprova projeto que endurece penas para crimes sexuais contra crianças na internet

Senado aprova projeto que endurece penas para crimes sexuais contra crianças na internet

Texto amplia punições para crimes praticados com uso de inteligência artificial, perfis falsos e redes sociais e agora segue para sançã

O Congresso Nacional deu mais um passo no combate aos crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes no ambiente digital. O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (7), o Projeto de Lei nº 3.066/2025, que endurece as punições para autores desse tipo de crime e amplia os mecanismos de investigação utilizados pelas autoridades. Como a proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, o texto segue agora para sanção do presidente da República.

Entre as principais mudanças está o aumento das penas para crimes relacionados à produção, divulgação, comercialização e armazenamento de material de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes.

A proposta também fortalece a atuação das forças de segurança ao ampliar as hipóteses de infiltração policial em ambientes virtuais para identificar criminosos que utilizam a internet para praticar esse tipo de delito.

Outro ponto de destaque é a inclusão de agravantes quando os crimes forem cometidos com o auxílio de tecnologias como inteligência artificial, ferramentas de deepfake, perfis falsos, jogos eletrônicos, redes sociais ou qualquer outro recurso utilizado para atrair ou manipular vítimas menores de idade.

O relator da matéria no Senado, o senador Fabiano Contarato, defendeu o endurecimento da legislação ao destacar que os mecanismos atuais não têm sido suficientes para conter o crescimento dos casos de abuso e exploração sexual infantil no ambiente digital.

Durante a tramitação, o parlamentar citou dados da organização SaferNet Brasil, que apontam o registro de 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil entre janeiro e julho de 2025, número cerca de 18,9% superior ao verificado no mesmo período do ano anterior.

Penas mais severas

Pela proposta aprovada, quem produzir, registrar, fotografar, filmar, dirigir ou comercializar conteúdo de violência sexual envolvendo crianças e adolescentes poderá ser condenado a penas que variam de 4 a 10 anos de prisão, além de multa. Atualmente, a legislação prevê reclusão de quatro a oito anos.

A punição será ainda maior quando a comercialização ou divulgação ocorrer pela internet ou por redes sociais, hipótese em que a pena poderá ser acrescida em um terço.

Também passam a receber penas mais rigorosas aqueles que divulgarem, compartilharem, transmitirem ou distribuírem esse tipo de material. Nesses casos, a punição sobe para 4 a 10 anos de reclusão, substituindo a faixa anterior, que variava de três a seis anos.

Já para quem adquirir, armazenar ou manter esse conteúdo, a pena passa de um a quatro anos para três a seis anos de prisão, além da aplicação de multa.

Inteligência artificial passa a agravar a punição

O projeto acompanha a evolução tecnológica ao prever aumento de pena para crimes praticados com apoio de ferramentas de inteligência artificial.

O agravamento também valerá para casos que envolvam deepfakes, perfis falsos, redes sociais, aplicativos de mensagens ou jogos on-line utilizados para aliciar crianças e adolescentes.

Além disso, a proposta estabelece punição mais severa quando o criminoso se aproveitar de vínculos de confiança, convivência familiar, autoridade ou qualquer relação de cuidado para cometer a violência.

Atendimento especializado às vítimas

Além das alterações na legislação penal, o projeto amplia a proteção às vítimas.

O texto determina que crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual tenham acesso a acompanhamento psicológico e psicossocial especializado, contínuo e individualizado, garantindo suporte durante todo o processo de atendimento e recuperação.

Com a aprovação pelo Congresso, o projeto aguarda apenas a sanção presidencial para que as novas regras passem a integrar a legislação brasileira.