Ponte de R$ 36 Milhões Desaba e Deixa Feridos: Quem Vai Responder Por Essa Tragédia?

Ponte de R$ 36 Milhões Desaba e Deixa Feridos: Quem Vai Responder Por Essa Tragédia?

A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada em dezembro de 2023 sob aplausos, discursos e promessas de desenvolvimento para Sena Madureira.

Apresentada como uma das maiores obras da história do município, a estrutura de 232 metros custou mais de R$ 36 milhões aos cofres públicos.

Na cerimônia de entrega, autoridades classificaram a obra como histórica.

O governador Gladson Cameli celebrou a conclusão do empreendimento.

Governador, o senhor participou da inauguração e apresentou a ponte como uma obra histórica para o Acre. Hoje, com parte da estrutura desabada e cidadãos feridos, qual explicação o senhor dá à população sobre uma obra de R$ 36 milhões que não resistiu sequer aos primeiros anos de operação?

O caso ganha contornos ainda mais delicados porque ocorre durante um momento em que o ex-governador Gladson Cameli está condenado pela Justiça.

Em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Cameli foi condenado a 25 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro em um esquema que, segundo o Ministério Público Federal, provocou prejuízo superior a R$ 11 milhões aos cofres públicos do Acre.

Embora a condenação não tenha relação direta com a construção da Ponte Frei Paolino Baldassari, o histórico reforça a necessidade de uma investigação profunda, transparente e independente sobre o desabamento da estrutura de R$ 36 milhões que deixou quatro pessoas feridas em Sena Madureira. Diante da gravidade do episódio, a sociedade acreana espera respostas claras sobre quem projetou, quem fiscalizou, quem aprovou e quem garantiu a segurança da obra entregue à população.

O então deputado federal Gerlen Diniz destacou que a ponte colocaria seu nome na história do Acre.

Deputado, o senhor afirmou que a ponte entraria para a história do Acre. Entrou. Mas por razões completamente diferentes das esperadas. Como parlamentar federal e defensor da obra, o senhor acredita que a população merece saber quais empresas executaram os serviços, quais órgãos fiscalizaram a construção e quem garantiu a qualidade da estrutura entregue?

O deputado estadual Luiz Gonzaga exaltou o esforço político para tornar o projeto realidade.

Deputado, a Assembleia Legislativa tem entre suas funções fiscalizar os atos do Poder Executivo. Diante do desabamento de uma obra milionária, o senhor considera que houve fiscalização suficiente durante a execução e após a entrega da ponte? A Assembleia irá cobrar responsabilidades?

O senador Márcio Bittar agradeceu ao governo estadual pelo investimento.

Senador, durante a inauguração o senhor agradeceu ao governo pelo investimento realizado. Agora que a ponte desabou e deixou vítimas, o senhor defenderá uma investigação independente para esclarecer como uma obra dessa magnitude apresentou um colapso estrutural em tão pouco tempo?

A então presidente da Câmara Municipal, Ivoneide Bernardino, afirmou que era um dia histórico para a população.

Vereadora, a senhora declarou que aquele era um dia histórico para Sena Madureira. Hoje, diante do desabamento parcial da estrutura, acredita que a população recebeu todas as informações necessárias sobre a qualidade, segurança e durabilidade da obra? O município também deve cobrar explicações?

Nos materiais oficiais divulgados pelo próprio governo, também aparecia a engenheira Thalia Kamila Gomes, apresentada como uma das responsáveis pelo acompanhamento técnico da obra.

Seu nome apareceu em materiais oficiais divulgados pelo governo durante a entrega da ponte. Como profissional ligada ao acompanhamento técnico da obra, a senhora consegue explicar à população como uma estrutura recém-inaugurada chegou ao ponto de sofrer um colapso tão grave? Quais esclarecimentos técnicos considera essenciais neste momento?

À Construtora Cidade Ltda:

A empresa recebeu mais de R$ 36 milhões para executar uma das obras mais importantes da história de Sena Madureira. A construtora garante que todos os padrões técnicos, estruturais e de segurança foram rigorosamente cumpridos? A empresa reconhece alguma falha ou atribui o problema a outros fatores?

Agora, quase três anos depois, o cenário é completamente diferente.

Parte da ponte veio abaixo.

Quatro pessoas ficaram feridas.

Entre elas está o juiz aposentado e advogado Edinaldo Muniz, de 54 anos, criador de conteúdo digital que utilizava as redes sociais para comentar temas políticos e administrativos. Pouco antes do acidente, ele realizava uma transmissão ao vivo apontando questionamentos sobre a estrutura quando ocorreu o desabamento.

Segundo informações divulgadas pelo Governo do Acre, Edinaldo sofreu traumatismo craniano e trauma interno abdominal e renal, sendo considerado um dos casos mais graves.

O caso chocou o estado e colocou uma pergunta no centro do debate público:

Como uma obra de mais de R$ 36 milhões apresenta um colapso estrutural em tão pouco tempo?

A população tem o direito de saber.

Quem projetou?

Quem executou?

Quem fiscalizou?

Quem aprovou?

Quem recebeu a obra?

Quem garantiu que ela oferecia segurança à população?]

O Governo do Acre informou que equipes da Saúde, Assistência Social, Samu, Corpo de Bombeiros, Ciopaer, Deracre e representantes da empresa responsável pela construção foram mobilizados para atender a ocorrência e acompanhar a situação.

A OAB do Acre também se manifestou, classificando o episódio como de extrema gravidade e cobrando uma investigação técnica rápida, transparente e rigorosa, com eventual responsabilização de todos os envolvidos caso sejam constatadas irregularidades.

Neste momento, ninguém pode ser apontado como culpado sem a conclusão das perícias e das investigações.

Mas uma coisa é certa.

Uma ponte de R$ 36 milhões não deveria estar desabando poucos anos após sua inauguração.

O Acre não precisa apenas de explicações.

Precisa de respostas.

Precisa de transparência.

Precisa de responsabilização caso sejam identificadas falhas.

E, acima de tudo, precisa garantir que nenhuma família volte a correr riscos em uma obra pública construída com o dinheiro do contribuinte.

A população de Sena Madureira merece saber exatamente o que aconteceu.

E o Brasil inteiro merece acompanhar o resultado dessa investigação.

Informações sobre o estado de saúde de Edinaldo Muniz e manifestações institucionais foram divulgadas pelo Governo do Acre, OAB/AC e reportagem publicada pelo portal Migalhas: https://www.migalhas.com.br/quentes/457490/ponte-desaba-no-acre-e-juiz-aposentado-fica-ferido