O “mar” de Brasília que nunca existiu: a história curiosa por trás do Lago Paranoá e da Ponte JK

O “mar” de Brasília que nunca existiu: a história curiosa por trás do Lago Paranoá e da Ponte JK

Brasília é conhecida por seus monumentos, pelos prédios projetados por Oscar Niemeyer e pelo traçado urbano desenhado por Lúcio Costa. Mas existe uma curiosidade que surpreende até muitos moradores da capital federal: o famoso Lago Paranoá simplesmente não existia.

Hoje considerado um dos principais cartões-postais da cidade, o lago foi criado artificialmente durante a construção de Brasília. A ideia, na verdade, é bem mais antiga do que a própria capital. Ainda no final do século XIX, estudos realizados pela Comissão Cruls já apontavam a possibilidade de represar as águas da região para formar um grande lago no Planalto Central. Décadas depois, durante a construção da nova capital, o projeto saiu do papel.

A criação do Lago Paranoá tinha uma missão estratégica: ajudar a amenizar os efeitos do clima seco característico de Brasília, além de contribuir para o equilíbrio ambiental da região. O represamento do Rio Paranoá deu origem a um espelho d’água que hoje possui cerca de 48 quilômetros quadrados e aproximadamente 80 quilômetros de perímetro.

Com o passar dos anos, o lago deixou de ser apenas uma solução de engenharia e se transformou em um dos principais espaços de lazer dos brasilienses. Aos finais de semana, suas margens recebem praticantes de esportes náuticos, corredores, ciclistas, pescadores e famílias que aproveitam o pôr do sol em um dos cenários mais bonitos da capital federal.

Outro símbolo que chama a atenção de quem visita Brasília é a Ponte JK. Inaugurada em 2002, a estrutura se tornou uma das obras de engenharia mais admiradas do país. O detalhe mais curioso está em seu desenho: os três arcos que sustentam a ponte foram inspirados no movimento de uma pedra quicando sobre a superfície da água. A ideia do arquiteto Alexandre Chan transformou a ponte em uma verdadeira escultura urbana sobre o Lago Paranoá.

Com cerca de 1,2 quilômetro de extensão, a Ponte JK conecta regiões importantes da capital e acabou se tornando um dos pontos mais fotografados de Brasília. Mais do que uma ligação entre margens, ela representa a combinação entre arquitetura, engenharia e identidade visual que ajudou a transformar a cidade em Patrimônio Cultural da Humanidade.

Para quem observa o Lago Paranoá em uma tarde de domingo, pode parecer que ele sempre esteve ali. Mas a verdade é que tanto o lago quanto a ponte carregam histórias que ajudam a explicar por que Brasília continua sendo uma das cidades mais fascinantes do Brasil.

Imagens de FELIPE FRANCO