BAIXA PESADA NA ESQUERDA: urnas derrubam nomes históricos e redesenham o Congresso em 2026
Haddad, Gleisi, Marina, Tebet, Randolfe, Benedita, Manuela, Paulo Pimenta, José Dirceu e outras figuras nacionais ficaram pelo caminho numa eleição marcada por forte renovação
As eleições de 2026 produziram uma das maiores listas de derrotas de políticos conhecidos dos últimos anos. Figuras históricas da esquerda, do centro-esquerda e nomes associados ao campo governista perderam disputas pelo Senado, governos estaduais e Câmara dos Deputados.
A lista impressiona pelo peso político dos derrotados.
Em São Paulo, Fernando Haddad (PT) tentou novamente chegar ao governo, mas perdeu ainda no primeiro turno para Tarcísio de Freitas. Na disputa paulista pelo Senado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) também ficaram fora: as duas vagas foram conquistadas por Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

Senado derrubou nomes de peso
Foi no Senado que o impacto ficou ainda mais evidente.
No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT) terminou em quarto lugar e viu Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) conquistarem as duas cadeiras.
No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) terminou em terceiro, enquanto Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, foram eleitos.
No Rio Grande do Sul, duas figuras nacionais ficaram pelo caminho: Manuela D’Ávila (PSOL) terminou em terceiro e Paulo Pimenta (PT) em quarto. As vagas ficaram com Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo).
A lista continua.
Randolfe Rodrigues (PT) perdeu a tentativa de renovar o mandato pelo Amapá.
Erika Kokay (PT) não conseguiu chegar ao Senado pelo Distrito Federal.
Eliziane Gama (PT) ficou fora no Maranhão.
Fabiano Contarato (PT) não renovou o mandato pelo Espírito Santo.
E Soraya Thronicke (PSB) também perdeu a disputa em Mato Grosso do Sul.
Renan Calheiros: fim de uma sequência de três décadas
Outro resultado histórico aconteceu em Alagoas.
Renan Calheiros (MDB) terminou em terceiro lugar e perdeu a cadeira no Senado depois de uma trajetória iniciada ainda nos anos 1990.
Foram eleitos Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB).
Renan não é um político de esquerda propriamente dito, mas sua derrota entra no mesmo movimento de renovação que atingiu nomes tradicionais e aliados do campo governista.
José Dirceu tenta voltar e fica como suplente
Na Câmara dos Deputados, talvez o resultado mais simbólico tenha sido o de José Dirceu (PT).
Ex-ministro da Casa Civil e um dos personagens mais conhecidos da história recente do partido, Dirceu tentou retornar ao Congresso por São Paulo.
Recebeu 78.450 votos, mas não conseguiu uma cadeira e terminou na suplência.
Também ficou fora Jean Wyllys (PT), que recebeu pouco mais de 18 mil votos em São Paulo. Outros nomes conhecidos ligados à esquerda também não conseguiram mandato.
Uma lista pesada
Entre as principais derrotas nacionais de 2026 aparecem:
Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Simone Tebet, Marina Silva, Randolfe Rodrigues, Benedita da Silva, Manuela D’Ávila, Paulo Pimenta, Erika Kokay, Eliziane Gama, Fabiano Contarato, José Dirceu, Jean Wyllys e Soraya Thronicke.

Somam-se a esse cenário derrotas de figuras tradicionais de outros campos, como Renan Calheiros e Leila Barros.
O resultado não significa que a esquerda tenha desaparecido das urnas. Longe disso. O campo progressista manteve importantes bancadas e também elegeu nomes com votações expressivas.
Mas existe um fato político impossível de esconder:
uma geração de políticos que durante anos ocupou o centro do poder brasileiro recebeu um duro recado das urnas.
Direita cresce no Senado
Ao mesmo tempo em que vários desses nomes ficaram pelo caminho, partidos de direita avançaram principalmente no Senado.
O PL conquistou 19 das 54 cadeiras em disputa, enquanto aproximadamente 30 vagas ficaram com legendas identificadas com o campo conservador.
É uma mudança relevante porque o Senado participa diretamente da aprovação de ministros do STF, autoridades de órgãos importantes e de eventuais processos de impeachment de integrantes da Suprema Corte.
Por isso, a fotografia de 2026 vai muito além de uma coleção de derrotas individuais.
Mudou gente. Mudou bancada. E mudou a correlação de forças dentro do Congresso Nacional.

Haddad perdeu. Gleisi perdeu. Marina e Tebet ficaram fora. Randolfe não renovou. Benedita, Manuela, Paulo Pimenta, Contarato e Erika Kokay não chegaram ao Senado. José Dirceu não conseguiu retornar como titular.
As urnas de 2026 não aposentaram a esquerda brasileira. Mas aposentaram — pelo menos por enquanto — vários de seus rostos mais conhecidos.

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.





